Eu me pergunto se há tempo o bastante para os livros que não li. Ou se deveria, neste tempo que soçobra, devorado, reler livros fundantes, como a recuperar certa ignorância. Mas a tudo destruir e à minha ignorância – sabe a ilegitimidade da pureza ante a fome. Livro: pêndulo de máculas, tempo de palavras; isto sei, o moto vida-morte no tilintar das vidraças à chuva dos relógios. Brindo sobre mim. Haverá a formação do cristal, tempo inconcebivelmente lento dos destinos da biblioteca? Por isso, este livro que marco, mais que ao corpo, fala em sua imprecisão de leitora, não menos que os meus desejos vagam numa prece estranha a encontrar quem aceite de minhas mãos o que elas não carregam. Tomando por empréstimo o fracasso de minhas obras e as de minha predileção. E tendo quem as ame, quando não for possível a mim.

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