poesia

Giroscópio

De um barco ébrio.
O poeta em sua linguagem, essa furiosa desaparição.
Ser e seu ente.
Eixo de todas as rotações excêntricas – os instantes obsedados de eternidade.
Revolutear de signos.
Com as paisagens desdobradas em pontos cardeais – a geometria de Cristo.
Rastro da luta que se vai apagando no brilho da estrela.
Ausente.
No ponto cego de um raio e seu duplo – excedido diâmetro.
Exaurindo a linguagem explosiva e martirizada.
Linhas ou cicatrizes.
Vértices de frases: contornam um incomunicável de imagens.
Por dobras, ecos, evocações.
Suplício de tântalo(s), espelhos de pedra.
O que se desabre é o horizonte.
Casa dos ampliados.
Reflexo que não se vê, do que não se repete.
Fértil na terra da memória.
Aparição torrencial — frágil.
Senão outro, senão o mesmo.
Falhado, instado a matar, a selar o pacto com quem o atraiçoa.
Consciência suicida, urdida de instinto.
Maresia inata.
Cientista rútilo.
Quintessência: matéria silenciada.

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Teu peito se curva
sobre o silêncio
que se alastra como fogo.
O coração devora
o nome sempre aceso
– chamas por detrás do gesto.
As mãos tocam o abismo
como quem acobertasse um crime.

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Terra lupanária
em que um homem cai
onde um outro brota,
como casas
que se abrem à procissão
depois da oferenda aos deuses
secretamente adorados.
Lastro de berços tardios
ancorados na carne;
a certeza da morte pelo grão;
pó em que se pisa,
folhagem em que se deita,
mar que não se navega.

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