Limiar

A navalha do real
corta o rosto doente,
à hora do sonho,
deixa sua cicatriz.

A pele esgarça
onde os olhos adejam,
de invento, a paisagem;
lembram asas feridas

de pássaro que sustém,
antes da queda, o risco,
o rasgo, sorriso largo
e soberbo da morte.

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na bela leitura do poeta Assis Freitas:

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Rarefeita

Tenho um ar antigo,
conquanto me falte,
à sua presença,
sorvê-lo demoradamente.

Fatal, brisa que desarma
num espasmo, respira;
bomba relógio retrocedendo
antes da explosão.