O silêncio que devora a noite
é o mesmo que me come o coração,
sem preliminares.

Feito de estocadas,
golpes,
galopes surdos.

O silêncio
é um homem bruto
cuja fome esqueceu de gemer.

Vara pelas horas,
equídeo e solitário,
desmembrando-me.

Arranca, a pancadas,
um uivo negro, abortado
de caminhos que ele mutilou.

Publicado por

Roberta Tostes Daniel

Roberta Tostes Daniel, carioca. Tem poemas publicados nas revistas eletrônicas Mallarmargens, Zunái, Musa Rara, Diversos Afins, Estrago, Incomunidade, além de blogs e no site do Centro Cultural São Paulo. Incluída nas antologias: “Desvio para o Vermelho” (CCSP), “Amar, verbo atemporal” (Ed. Rocco) e “história íntima da leitura” (Ed. Vagamundo). Email: robertatostes@gmail.com “Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra” (António Ramos Rosa)

6 thoughts on “”

  1. a mesma angústia de se ter sede em frente ao mar, sente quem usa a palavra para saciar seus vazios! As ironias movem o poeta! 😉

    Declaro-me tua leitora assídua agora!
    Beijinho!

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  2. Esse seu poema foi um dos que eu mais gostei, Roberta. Eu o li pelo email mas, quando entrei pra comentar, tinha um banner escrito – “Quer secar a barriguinha?”. Mas é um poema incrível mesmo. Uma beleza e com a ironia que eu tanto aprecio. Beijo.

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  3. “você não ouve a voz terrível, que grita por todo horizonte, e é habitualmente chamada de silêncio?” (georg büchner)

    poema fantasmático, forte… beleza e horror juntos.
    e a fome que esqueceu de gemer é uma pancada.

    um abraço!

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