poesia

O silêncio que devora a noite
é o mesmo que me come o coração,
sem preliminares.

Feito de estocadas,
golpes,
galopes surdos.

O silêncio
é um homem bruto
cuja fome esqueceu de gemer.

Vara pelas horas,
equídeo e solitário,
desmembrando-me.

Arranca, a pancadas,
um uivo negro, abortado
de caminhos que ele mutilou.

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6 comentários sobre “

  1. a mesma angústia de se ter sede em frente ao mar, sente quem usa a palavra para saciar seus vazios! As ironias movem o poeta! 😉

    Declaro-me tua leitora assídua agora!
    Beijinho!

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  2. R. disse:

    Esse seu poema foi um dos que eu mais gostei, Roberta. Eu o li pelo email mas, quando entrei pra comentar, tinha um banner escrito – “Quer secar a barriguinha?”. Mas é um poema incrível mesmo. Uma beleza e com a ironia que eu tanto aprecio. Beijo.

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  3. “você não ouve a voz terrível, que grita por todo horizonte, e é habitualmente chamada de silêncio?” (georg büchner)

    poema fantasmático, forte… beleza e horror juntos.
    e a fome que esqueceu de gemer é uma pancada.

    um abraço!

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