Isto que me mata
não é a morte;
quando digo,
para tocá-la:
‘os pássaros do sono’,
é um nome que vivo;
e porque já morro
de outra morte,
desperto:
um anjo
em meio às asas.

Morre-se pelo espinho de uma rosa.
A beleza é o aroma dessa morte
rilkeana – anjo que desdenha
o fogo, certo da chama destruidora.

Escreve a terrível dor das setas
na alma das rosas – flechas acesas
fulguram em língua estrangeira;
os alvos cravados na legião da carne:

poesia sebastiana.

O silêncio que devora a noite
é o mesmo que me come o coração,
sem preliminares.

Feito de estocadas,
golpes,
galopes surdos.

O silêncio
é um homem bruto
cuja fome esqueceu de gemer.

Vara pelas horas,
equídeo e solitário,
desmembrando-me.

Arranca, a pancadas,
um uivo negro, abortado
de caminhos que ele mutilou.

Buscamos na vida
a casa dos nossos nomes,
que se ocultam
em cômodos no peito,
rangendo portas.
Perdidos, os corpos
de todas as chaves
tentam abrir o Nome.