Fugaz

Fugir de todos os poemas,
escrever cada canção
desacontecida.

Deitar horizontes
na velha cama
sem jornada.

Noite e dia,
forjar palavras
no mar sem dono.

Voz a inaugurar
(n)o vazio
mesmo

com que se toca,
quente, palavras
como arrebol.

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4 comentários sobre “Fugaz

  1. Beta, como eu disse a Fabiana, acredito nos limites da linguagem mas também creio em sua força criadora. Dizer algo é gerar algo. Apesar de estranhas ser algumas expressões como por exemplo, a palavra silêncio onde a palavra já anula o estado, ou a palavra vazio que ao dize-lo criamos algo, como está em uma estrofe do teu poema, e como a poeta Wislawa desenvolve em outro. Quando comecei a ler-te encontrei em tuas palavras uma lamina que corta mas que traz já no seio da tua poética a cura para estes cortes. Este teu poema engasgou-me, fez me perder o vocabulário cotidiano e adentrar em busca de significados, como se os deixasse sobre a mesa, ” deitar os horizontes” só não posso deixa-los adormecer. Há neste teu poema algo de existencialista e de desencanto, um contorno de melancolia. Eu tenho um grande medo, deixar-me arrastar para um lugar onde as coisas todas estejam finalizadas, gosto dos lugares onde há ventres, onde as coisas e as pessoas ainda estão no vir a ser ( devir) aqui no teu poema encontrei algo assim, como se a poeta nos pedisse para nos largar no seio do vazio, perder até mesmo os poemas( a linguagem) para que algo acontecesse. Teu poema parece abrir-se as possibilidades, pois escreve canções desacontecidas é esperar que elas aconteçam, sei lá.
    Beta, sua poética acende fogueiras em nossas gargantas e lábios, por isto é purificadora. Nesta noite de sexta adormeço pensando em deixar-me embalar por estas canções “desconhecidas”, apesar da minha mania como estudante de filosofia, sempre quero entender, mas confesso que há poemas que não se entendem, nos deixamos fecundar por eles, terra seca que se molha nas tuas palavras. Obrigado por tamanha beleza. Por isto um dia você escreveu aqui “Te escrevo com fome e silêncio” e esta frase tua eu não esqueço.

    Abraços com admiração
    Sandrio Cândido (IMC)

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