poesia

A imagem

Sentada no meio-fio,
Ria a tua imagem – e semelhança.
E era uma sombra iluminada
Por algum ocaso, lembrei.
Não parei, porque corria.
A memória, o carro ou…
Vindo, tua imagem.
Por isso, passei rápido, sonhando,
“Por isso eu corro demais”.
Não dirijo, nem sonhos sonho
Uma ausência real, porque sonhada.
Não senti senão sonhando,
Todos estes anos,
“Só pra te ver, meu bem”,
Neste beco, atravessada, nesta cama.
Mas houve um ano, esse ano foi teu.
Vermelho como o cabelo.
Em um mesmo artifício, tingida eu
Do fulgor adolescente.
E um filme horroroso!
E os berros, espanto fingido
Para o desfecho de um beijo
Ao lado de um piercing.
“Navio-fantasma” – como a alma
De um corpo atracado,
A boca exalando rosa.
O cheiro de um pescoço
Esganado pelas mãos.
Que clicam, clicam
A máquina do clitóris.
Fotos, mais fotos,
Photoshop no amor.
Vermelho, icterício;
Idade do ouro.
Exuberávamos nos becos
Cheios de contrastes, andávamos
Por estas memórias gloriosas,
Neste futuro insólito.
Como tua imagem. Eu vi,
Rindo na Travessa do Ouvidor.
Houve. Ouço. Não esqueço.

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2 comentários sobre “A imagem

  1. Esta imagem do corpo atracado é muito bela, gosto muito. Imagens fortes estão neste teu poema, algo de rasgar a saudade ou a ausência. Esta espera pelo amor, por um amor, porque mais do que esperar o sentimento o que causa estranheza é esta nossa capacidade de esperar um amor, alguém a quem possamos chamar meu bem, e talvez ele não venha, apenas em sonho, mas é tudo tão real, que deixa de ser sonho. Tão frágil fronteira se quebrando. AS fotografias no final, será que todo amor se faz retrato. Ah! beta ainda que as imagens sejam aqui fortes e puras, não escapou de uma melancolia que seja talvez o que alimenta, o fogo a queimar a lenha do amor… seja como for que seja amor…
    Tu poeta a inaugurar em meu peito e alimentar este sentimento tão belo…
    beijos

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  2. sandrio sempre abre veredas, né? vim aqui, e o comentário dele me deixou sem saber dizer. li o poema no e-mail, e ficou me doendo, essa melancolia. ou a memória, que insiste em reter tudo. e a linguagem, insistente em transfigurar.

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