poesia

Tripartite

cortejo Baudelaire

passando, passando
na rua nunca mais
talvez o tenha visto;

deus o tenha
no cruzamento dos séculos
desencontrando

os sinais.

*

não menos que vermelhos

ardendo de tédio
deitados no poente.

anti
espas
módicos
abismos.

vi de novo; retornava
de alguma prateleira

engolindo
a aurora

tarja preta.

*

duas sombras

atravessavam os passantes
sonhando as espadas,
confluídas no sangue.

guerreavam em silêncio;

no caminho a tarde perde
a razão de atar

um desatino a outro.

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poesia

sabiam morrer juntos,
instantes de silêncio
sem fulguração;

salvavam-se, bramidos
pelo canto nupcial
da ausência;

sonhavam antinomias,
nomes quietos
esquecidos na boca

selada do beijo
– desaparecendo
sempre

reviviam
na manhã
do mesmo dia.

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Amor,

“minha arma favorita”
Maiakovski

Eram ossos tocando palavras
Na carne, talvez as mãos
Fraturadas do amor.

Rondas de esqueletos
Executando artérias
Na enlouquecida anatomia.

Coração de múmias
Russas desnudando-se
Entre as vértebras de um poema.

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