O tempo vive…

“O tempo está vivendo-me” (Borges)

O tempo vive, impronunciável.
Tu também não o dizes,
Em silêncio, lábio,
Contracanto da destruição.

Vive o silêncio. Escutas?
Não o há. Teus nervos, o tempo
Em mim, som do quanto ressoa
O peito, mesmo calmo, galopa na tarde.

Ruído branco; recebe
Ondas, contingências tonais
Da carne; um silvo;
Arrepia ao teu chamado.

A casa: transparente,
Um hiato intocado.
Respira no tempo,
Intervalo de espelhos.

O poeta me diz. Cego,
O instante me abre
A imagem da tempestade;
Canais de água

E rumor da tua aparição.

5 comentários sobre “O tempo vive…

  1. sabe o que? o tempo se entreabre na tua presença: tudo instante. um privilégio o convívio com as tuas imensidões. de um tímido grito do saber-se parte das construções. tudo em constante diálogo: respondendo a este silêncio.

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  2. Muito, muito belo. O falar do tempo imortal e indecifrável. Do silêncio e da ausência. Do vazio e do chamado. Da espera em seu ninho. A imagem sempre forte para mim das águas, que levam e trazem, que se fundem à vida. Isso tudo me cativa muito em teu texto. Gostei demais. Gosto sempre.

    Beijo.

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