poesia

Lendo René Char

As feições só podem ser de espanto, martírio e gratidão lendo os poemas de René Char. Eu, avultada em seus arquipélagos de fúria e mistério, com as palavras do mundo ao alcance do mundo das palavras. Um dilúvio carregado por Contador Borges, o tradutor-poeta, que conta-gotas da tempestade para o caudaloso rio da boca. É qualquer bem de asperezas, único, de vertigens, contra-enigmas. Eu leio e sinto súbita vontade de dizer que amo e morro (“se morres, ainda amas”). Pego o telefone para dizer o que e a quem? Depois, ainda febril, mas lúcida, grito estes silêncios de partilha. Que notícia secreta é esta que alardeio com o mais calado fulgor? Encontro (“semeio de meus dedos”) as palavras:

“Diamante cujo fulgor não se sabe ao certo até quando (ou até onde) dura, o poema, no entanto, assombra e instiga porque também possui essa capacidade de continuar em outros poemas (e poetas), puxando assim seu fio e o atando alhures, à maneira de Ariadne, ou amalgamando ilhas, ecos, lampejos, como os arquipélagos de Char” (Contador Borges):

“A poesia é este fruto, maduro, que apertamos na mão com alegria, no mesmo instante em que ela surge com o futuro incerto, dentro do cálice, na haste gelada da flor” (René Char).

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