A água dura

A água dura na memória
Da parede insólita;
De anos da insônia, água
Da parede indômita.

Sudário de tinta:
Á água corre
Dos canos; vaza
Dos ossos incômodos.

Exsuda três metros,
Pé-direito-horizonte
Com vista para o ar
De abandono.

Empedra no peito
Líquida e velha corrosão,
Infiltra o cheiro de mofo.
Desosso; estufa a parede,

Desaba, esquartejada.
Mas o problema,
Se bem me lembro,
Vem do andar de cima;

Pela água do vizinho;
Pelo outro, inquilino;
Pelo amor
De Deus.

Um comentário sobre “A água dura

  1. Eu andava tentando trabalhar um texto com esse personagem (“água”) que nos compõe, que nos impregna a memória, que nos vaza e nos circula. Mas acho que depois de ler este vou desistir… Há, aqui, muito do que eu queria dizer de uma maneira que eu jamais conseguiria. Pela suas águas nadei as minhas. Inquilino.

    Muito bom mesmo te ler, Beta.

    Beijo.

    Curtir

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