Dezembro

Dezembro virá,
Velando palavras
Colhidas
Há três décadas.

Pensarei em morte,
Delito, agonias.
Árduo nascer;
Vou conceber torturas.

O dia não veio,
As notícias são velhas.
Só a angústia
Metralhou a tarde.

E esse frio na cidade,
Homenagem aos poucos
Que lambem vento,
Se arrepiam.

Dezembro virá
E espumas na boca.
Brindarei com a raiva
Solar de loucos.

Mas teu rosto cobrirei
Com a ternura
Afogada dos meses
No decurso do espelho.

2 comentários sobre “Dezembro

  1. Fim de ano. Pensar na morte, em (re) nascer, mas “o dia não vem” e “as notícias são velhas”… Agora entendi o seu espanto com aquela música rs. Mas o poema é incrível, oscila entre melancolia da repetição de “dezembro virá” “o dia não vem” e a raiva de boca espumada de loucos, metralhando a tarde. Muito bonito isso! Beijos.

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