(no precipício
era o verbo)

no fundo de tudo
essa vontade de morrer nas coisas;
essa urgência de afogada;
viver nelas:

palavras, pessoas, coisas.

melhor ouvir
o que a boca não consegue dizer
melhor, abismada,
viver em voz alta;

– cantar, à boca,
o silêncio de um uivo.

longos os espaços
entre os acontecimentos
a batalha alpinista
do entendimento.

– dizer

os braços
nos ensinam
a morrer

contando
as feridas.

5 comentários sobre “

  1. Gosto muito desse tema “melhor ouvir o que a boca não consegue dizer”. Não morrer na palavra “cantar… o silêncio de um uivo”. O entendimento não alcança nem onde o braço chega, fere-se, morre.

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  2. ah, beta, que maravilha!
    vc é danada!
    “viver em voz alta” – que lindo isso.

    vc é uma das minhas preferidas, admiro demais seu talento.
    beijo, querido.

    (e que pintura linda a da abertura do post).

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  3. O poema, ao mesmo tempo em que nos remete ao mais profundo, nos eleva – “batalha alpinista”…

    Nem me “precipito” a destacar versos, porque o poema inteiro me abisma, Beta!

    Te ler nos deixa exatamente em “voz alta”, onde só tua escrita alcança!

    Um beijo.

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