poesia

(no precipício
era o verbo)

no fundo de tudo
essa vontade de morrer nas coisas;
essa urgência de afogada;
viver nelas:

palavras, pessoas, coisas.

melhor ouvir
o que a boca não consegue dizer
melhor, abismada,
viver em voz alta;

– cantar, à boca,
o silêncio de um uivo.

longos os espaços
entre os acontecimentos
a batalha alpinista
do entendimento.

– dizer

os braços
nos ensinam
a morrer

contando
as feridas.

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poesia

Palavras violadas

“O que de mim ninguém tira
Carne da palavra, carne do silêncio,
Minha paz e minha ira.”
(Este amor, Caetano Veloso)

Já tive
Palavras de sonhar:
Eternidade.
Palavras como Deus.
Amor: palavra pura
Projeção onírica.

O rasgo nas carnes.
Já tive denso
O delito nos dedos.
As palavras violadas
Nas carnes
Dos delírios que tive.

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