poesia

Arestas

Arrancar palavras indizíveis:
Os segredos têm arestas.
Fluido como o tempo,
O sangue nas mãos.

Tenta correr com a pedra,
Segurar infância.
Marcada, pisar
– a pedra cheia de musgo.

Atirá-la aos peixes, predadores.
Amar, amar a pedra.
Testemunhar estigma.

O predador,
Vulnerável e louco,
Duas vezes pai,
Sangra.

A órfã
Em sua busca
De um pai já vasto e morto,
Como um impensado horizonte,
Lança

(A pedra)

Duro toque
no corpo de uma criança
– invólucro

dos sonhos
morrer.

Então,
Dormir.
Talvez,
Nascer.

Já velha.
Repisar areias.
Marchar sobre conchas.
Estrangular pérolas.

Reescrever praias vermelhas
Que a maresia leva.
Ou lava no fim do dia.

Padrão

2 comentários sobre “Arestas

  1. Um ciclo que não se fecha… é um abrir, e só. um arrancar sem raízes. um fluir… (tempo e sangue aqui comparados foi estupendo!).

    “Tenta correr com a pedra,
    Segurar infância.”

    Isso nos acerta em cheio! quem não sabe de musgo?!

    E a procura… o ciclo… a areia como papel de biografias…

    Curtir

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