poesia

Sempre a infância

– perdida.

Cavalos esculpidos pelo vento,

Que desatinam.

(Se todo amor soubesse

A fenda sob os dias,

Cavalgava a terra

Antes do poente.)

Meninos cavando

Contra a morte

O ventre cheio de adeuses;

Abismos onde o sol adentra,

Lutando

Ardentemente.

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Arestas

Arrancar palavras indizíveis:
Os segredos têm arestas.
Fluido como o tempo,
O sangue nas mãos.

Tenta correr com a pedra,
Segurar infância.
Marcada, pisar
– a pedra cheia de musgo.

Atirá-la aos peixes, predadores.
Amar, amar a pedra.
Testemunhar estigma.

O predador,
Vulnerável e louco,
Duas vezes pai,
Sangra.

A órfã
Em sua busca
De um pai já vasto e morto,
Como um impensado horizonte,
Lança

(A pedra)

Duro toque
no corpo de uma criança
– invólucro

dos sonhos
morrer.

Então,
Dormir.
Talvez,
Nascer.

Já velha.
Repisar areias.
Marchar sobre conchas.
Estrangular pérolas.

Reescrever praias vermelhas
Que a maresia leva.
Ou lava no fim do dia.

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