poesia

“eu poderia dizer pela última vez…”

“eu poderia dizer pela última vez (…) que eu era um homem e não estava apaixonado (…) mas preferi me calar”  (João Gilberto Noll)

Doçura tanta: morre
E oferenda o corpo.

Que ternuras hediondas
Logram o fim
Revolvendo águas da infância?

Águas passadas não movem moinho
Mas movem o morto.

Ele sorri pro tsunami
Ao reconhecê-lo.
Não delira.

Sonha um mesmo sonho:
Maremoto,
Há décadas.

Contorna tudo, como a onda.
O olhar deformado da criança
No corpo do homem:
Fértil descampado
A solidão escalavra o corpo.

Dos sóis, sabe
A luz que acendeu
Pra não dormir no escuro.

Não morreu de medo
Nem de amor.

Padrão

8 comentários sobre ““eu poderia dizer pela última vez…”

  1. Algo muito impressionante em tua escrita é que poderias escrever um volumoso livro que a gente leria sem enfado algum, Beta! Eu tenho verdadeiros “sustos”, umas vezes tua linguagem é tão bem articulada e “manuseada”, que a surpresa espasma. Quem sabe o que vamos encontrar no próximo verso?!

    Fantástica, cada uma das construções, elos e ideais…

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  2. Concordo com a Katyuscia. É bem assim mesmo, o poema sempre surpreende! “Águas passadas não movem o moinho / mas movem o morto”… Poder visualizar coisa assim é experiência sem palavras! Parabéns!

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