“eu poderia dizer pela última vez…”

“eu poderia dizer pela última vez (…) que eu era um homem e não estava apaixonado (…) mas preferi me calar”  (João Gilberto Noll)

Doçura tanta: morre
E oferenda o corpo.

Que ternuras hediondas
Logram o fim
Revolvendo águas da infância?

Águas passadas não movem moinho
Mas movem o morto.

Ele sorri pro tsunami
Ao reconhecê-lo.
Não delira.

Sonha um mesmo sonho:
Maremoto,
Há décadas.

Contorna tudo, como a onda.
O olhar deformado da criança
No corpo do homem:
Fértil descampado
A solidão escalavra o corpo.

Dos sóis, sabe
A luz que acendeu
Pra não dormir no escuro.

Não morreu de medo
Nem de amor.