poesia

Perdições

Houve sempre quem dissesse
O que salva.

Profecias
Regeneraram o mundo.
Degeneraram.

O caminho a verdade e a vida
Foram sementes que voaram
Espalhando o sêmen
De um só homem.

Amamos o deus
De muitos deuses.

Mas, antes, dançamos
Mistérios na relva
Múltiplos, sacrificados.

Antes que o mar dragasse
A fúria dos deuses
Outros muitos assomaram
Violentando estrelas.

Até que as águas,
Onde todos nos miramos,
Devolvessem os reflexos de Narciso.

Até que,
Arrebatando-se, descalça,
Teresa…

Tenho pra mim que a santa
Alforriou-se no transe.

Oferto, por isso,
Nudez e véu.
Meus pés, asas.

O êxtase de dizer ao corpo
Liberdades,
Perdições.

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7 comentários sobre “Perdições

  1. Beta, desta vez você me calou… descalçou de palavras…
    Simplesmente uma *revelação* como só a poesia pode!

    Levo comigo… tenho que levar… e louvar!

    Parabéns, poeta.

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  2. A saia da estátua, vibrátil como anêmona.
    Fosse vermelha,
    de sobrenome Padilha. Fosse de roda
    o samba imóvel da musa, essa qualquer,
    tão feminina entidade. Cheia de graça.
    Alvo certeiro da própria da seta.

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