Emergências

A dor vulcaniza seu magma.
Não é a pele que rasga,
São as quintessências do corpo.

Eu não digo sangue,
Habito a crosta
De texturas impronunciáveis.

Aparições não se dão a ver.
Mas os olhos, esses vendilhões,
Escavam as promessas
No templo da fé.

Punhados de torpor
Sobre fundas emergências;
Ermos humores
Sob os vermelhos insepultos.

E o grito de adaga
E o adágio do silêncio
Movem a ferida aberta.

16 comentários sobre “Emergências

  1. Fico daqui, boquiaberta com a força com que aprofundas tua escrita, tuas metáforas, tua poesia.
    Olho para a pele que no papel arrepia todas as texturas do ecran quanto fazes essa espécie de erupção em nossos sentidos.
    Urge que expeles tudo que te inspira.

    Bravíssimo, Beta.

    Beijos.

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  2. ai, esses rasgos, Beta. tenho falado de rasgos também. tenho sentido rasgos também, embora não saiba onde. no que. avessar-se: é isso, né? tornar-se o lado de fora. está tudo ali: mas tem uma parte que insiste em se esconder dentro – protegendo-se contra o inevitável rasgo.

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  3. Demais… onde fica o corpo-mente que nos traz essas emergências? o seu poema consegue mostrar isso, “não dizer sangue” mas dizendo , afinal, “vermelhos insepultos”.
    Essas duas partes aqui eu achei de enorme beleza – “Mas os olhos, esses vendilhões, /Escavam as promessas/ No templo da fé.”. E outra – “E o grito de adaga/ adágios de silêncio”.
    Golpes de mestre. Beijos.

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