ferro, brasa e palavra

marcada a ferro, brasa e palavra
cunhada a pecados,
divinos torpores.

por doutrina, naugrafada
nada além do sal das águas.

nua pedra riscada
rebuliço marinho
e amor, canto de morte:
ferro, brasa e palavra.

liberta, cego abraço
que não se vê, mas se toca
com um corpo carregado
– esta terra etérea de sons.

marcada a ferro
e a brasa e a palavra
descalabro
– esta terrível amplitude.

amiúde canto
o longo brado
a impossível completude.

tudo que doma, se deforma
conforme os encontros
longas jornadas.

eu traio o teu nome
atraio os chamados.

soturna, tua chama
me acha, tua noite
queimando horizontes.

25/11

Estilhaços em todos os lugares e pessoas que olho. Não só nos ônibus queimados, na fumaça que espalha pelo ar o tóxico terror. Na perplexidade, seus próprios sinais, seus abismos, seus gemidos. Mesmo com tudo que já se viu e já se conhece. Os gritos e os silêncios coabitam a mesma espécie de fuga. Um mesmo caminho de busca. Haverá rendição?

Emergências

A dor vulcaniza seu magma.
Não é a pele que rasga,
São as quintessências do corpo.

Eu não digo sangue,
Habito a crosta
De texturas impronunciáveis.

Aparições não se dão a ver.
Mas os olhos, esses vendilhões,
Escavam as promessas
No templo da fé.

Punhados de torpor
Sobre fundas emergências;
Ermos humores
Sob os vermelhos insepultos.

E o grito de adaga
E o adágio do silêncio
Movem a ferida aberta.