Travessia

Ecoam lentos certos cantos, não obstante a ânsia por ouvi-los. Devoram. Devem ser decantados. Em nome do que? Do tom, do som, do prazer.Eu sigo riscando o que digo. Demolindo frases, encurtando sentenças. Só assim têm reverberado. Tudo áspero, imediato. Mas o desejo é de enchente. Continuidades que não chegam. Contiguidades que eu ataco. E se eu escrevo “eu te infinito tortuosa”, isso é uma travessia. Folhas que se consomem. Flores fósseis que despertam. “Azucrina o teu cabelo de égua”. Ecoa, lento ecoa o canto. Demora maré que me sangra.Acontecendo na vida os meus sussurros. Pra me livrar do tormento, pela salvação, pelo fetiche. Jogo de azar. Mormente o pranto. Esgarço a teia do dizer movendo brisas enfurecidas.

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Um comentário em “Travessia

  1. Roberta,

    Uma honra tê-la pelo Kanauã Kaluanã.

    Obrigada por sua leitura atenta, com detalhes de frases que são o próprio belo.

    Belo que encontro aqui, numa prosa poética que tem a estética que mais admiro, a que só precisa de essência.

    Um beijo.

    [Também aqui será paragem obrigatória minha!]

    Curtir

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