Meu coração bate desamparado

Hoje acordei normal, como antes de fazer treze anos./ A poesia me abraça detrás do muro, levanta/ a saia pra eu ver, amorosa e doida./ Estou no começo do meu desespero/ e só tenho dois caminhos:/ ou viro doida ou santa./ Eu quero a revolução mas antes quero um ritmo./ Em certas manhãs desrezo:/ a vida humana é muito miserável./ Minhas fantasias eróticas, sei agora,/ eram fantasias de céu./ Há dentro de mim uma paisagem/ entre meio-dia e duas horas da tarde./ Se esvai de mim o nojo dos mortos./ Já consigo comer/ na tarde que sucede aos enterros./ Deus não me dá sossego. É meu aguilhão./ Meu coração bate desamparado/ onde minhas pernas se juntam.

 Adélia Prado

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