O começo de um dia

Só sei acontecer assim, num espreguiçamento o começo de um dia. Vem devagar a luz, que encontra meus olhos, para que eu enxergue o mundo a me sorrir. O hoje começou com o delírio de um dia bem empenhado no azul, as turbinas do mundo girando hélices alucinadas, ventando meus cabelos de menina que se inventa na imensidão de vontades. Eu levanto embriagada pela prosa de Guimarães, sua língua cheia de pendor para o invento, e a poesia. Quase nada me acontece nessa manhã desacordada. As velhas “pequenas epifanias”, meu doce Caio. Um pouco de amor, vindo de muitas projeções, e a perspectiva de que sonhar me põe mais lúcida, como sempre. Por ora, espero o fim desse alongar de entranhas para me soltar no mundo, acontecer como gente normal, só que um pouco mais ventilada. Já vem bater na minha janela a verdadeira manhã carioca, impondo seus esfuziantes raios de sol. Antes, era um nublado que eu entrevia pela cortina, o azul correndo vivo por dentro. O dia agora aceso rouba do anil o seu contraste maior. Embora mais pálido, mais desmanchado, é ele que ainda me arde em contrastes: azul sem fronteiras. A despeito da primazia do sol.

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