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Poemas para serem encenados

Dia 11 de março, na Livraria Martins Fontes, da Paulista, lançamento do livro “Poemas para serem encenados”.

POEMAS PARA SEREM ENCENADOS
Teofilo Tostes Daniel
poesia
Casa do Novo Autor Editora
76 p.
R$ 20,00
ISBN: 978-85-7712-054-3

O livro na Martins Fontes: http://www.martinsfontespaulista.com.br/site/detalhes.aspx?ProdutoCodigo=530354

Sinopse:

Em sua estreia na literatura, Teofilo Tostes desmancha com seus versos a fronteira entre a poesia e a arte dramática. Em seu livro Poemas para serem encenados, encontram-se versos feitos para o palco e, paradoxalmente, para a intimidade, para o diálogo com as diversas personas do autor, à espera dos também múltiplos olhares dos leitores.

Teofilo transita entre o verso livre e a métrica, e propõe um híbrido dos gêneros lírico e dramático, numa conversa com as palavras, sempre renovadas, que adensam suas primeiras tentativas poéticas.

Todos os poemas do livro são escritos em primeira pessoa, mas apresentam um caráter ficcional, flagrando fragmentos de histórias. O autor admite que “dentre os personagens presentes neste grande amálgama de pseudo-indivíduos”, também ele se encontra. “Este ‘eu’ que me encontro em alguns poemas quase confecionais, entretanto, é um eu todo retorcido pelo hábito de fingir”, adverte o autor, revelando a influência e o diálogo que sua poética estabelece com a de Fernando Pessoa.

Poemas para serem encenados é dividido em cinco partes: “Prólo(n)go”, em que o poeta se apresenta da forma mais indireta e evasiva possível. “Fragmenta a ação de diálogos”, onde o autor escreve aos seus como se com eles conversasse. “De clarações” canta o amor, “verdadeiros uns, outros não”. Em “Personas”, o eu lírico veste muitas máscaras e assume os vários discursos possíveis a um dramaturgo. E “Memorial dos quatro cantos”, quinta e última parte, que é uma completa dramaturgia. O poema que a compõe, que já foi levado ao palco duas vezes, apresenta uma ação dramática completa que se desenvolve aos olhos do leitor.

Teofilo Tostes Daniel é um carioca nascido em 1979 e radicado em São Paulo há quatro anos. Formado em comunicação social pela UFRJ, trabalha numa assessoria de comunicação e mantém diversas atividades artísticas paralelas, como a literatura, a música e o teatro. Seu livro de estreia trata-se de uma obra que desnuda os volúveis significados das palavras.

Alguns Poemas:

Genealógico

Sou filho dos burgos,
mas não sou burguês.
Meus cantos são lusos,
não sou português.

Meu povo me aponta
safáris no corpo,
contrastes, afrontas
e um velho índio morto.

Entre hóstias e hostes
cravaram-me um Tostes
de algum povo ao léu.

Fugindo com fome,
meu último nome
chamou Daniel.

O poema de hoje

Tua presença fez-se em minha mente;
Rompeu, inexorável, a barreira
Que arquitetara para que o afluente
De mim não desaguasse em cachoeira.

Meu olhar te mirara descontente
Porquanto te encontrou, bem verdadeira,
Negando um parco olhar a mim, doente,
Que, aflito, te buscara à Terra inteira.

Lugentes olhos cercam teu olhar;
Constantes eles são ao reclamar
A migalha do céu que tu ofertas.

Desisto vagamente de utopias,
De reter os risos que sorrias.
Eu sou daquelas almas já desertas.

Alice Através do Espelho
(ao Armazém Companhia de Teatro)

mote
Eu escrevo este poema
que me imortalizará
por um dia tê-la visto.

Ser o público e a cena
de seus sonhos me será
doce gozo que conquisto.

glosa
Em pensaventos lesmos e espelhares,
Alice alopra os alcalóides anos
nadinocentes, vivos, sempre insanos,
latentes como o brilho dos pulsares.

Volupiadas velhas, sorrateiras
aquecem a epiderme da menina,
da infante nada infântica que nina
os desejos matreiros das soleiras.

Nosso primeiro e estranho anfitrião,
Chapeluco Maleiro e já caduco,
pregado num relógio feito um cuco
ri o riso dos loucos com razão.

Tomo um xeque, um chá-mate e enfim adentro
no espelho-tobogã atrás de Alice,
alicerce dos sonhos, do que eu visse
neste mundo fantástico e epicentro.

Eu vejo um labirinto no armazém,
num impudico, lúdico vestido
em que, no olhar mais lúcido, elucido
todas transparessências que ele tem.

Um gato trapezista, num sorrir,
instaura nos sentidos todo absurdo
comportável no meu sentir já surdo,
pois os seus lábios deixam o rosto ir!

No tabuleiro, a injusticeira manda,
a Rainha das copas e das taras.
Ela corta cabeças pouco caras
nas horas que a demência faz-se branda.

No justíbulo faz-se o julgamento
que desnuda as segundas intenções.
No júri vejo os condes e os barões
feitos nobres num doido desmomento.

No final desta noite ou deste dia,
saciado de amor, eu durmo cedo
neste hospício que espalha todo o medo
da certeza que o mundo o imitaria.

(Aplausos!)

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