Estivesses aqui

Estivesses aqui
Eu olharia fundo para as águas todas
Dos teus olhos e dos meus
Entre não calar a fonte e orvalhar
Apenas o beijo que tarda os aromas
Colhendo flores, manhãs
Da tua presença de ninho em minha pele
Unguentos pra dor que pedes que eu cale
Que amanse a égua, a nevralgia
Que rasgue as horas em que tateias
Os relógios mudos, chumbo cravado
O teu peito ressaca limites
Destronando sonhos, marés nossas
Amortizadas por dívidas que não se pagam
No teu ventre as mesmas águas famintas
Concavidade das chuvas, dos ontens
Por onde eu mergulhava a minha fé
Obstinada por teu corpo desvelado e branco
Arremetia as quimeras, fera adentro
Estivesses aqui
Por bosques do amor que derramo
Na taça da tua boca, vermelha e árdua
A desarmar precipícios

2 comentários sobre “Estivesses aqui

  1. Beta,

    Por mais que te leia, meus olhos nunca se desacostumam da surpresa que “escapole” da próxima frase, manuseada pela tua forma de desconvencioná-la[s].
    Ficam tão livres as palavras dentro dos teus textos!

    E se há termos pelos quais me perco, que me deixam em estado de quebranto por simples simplicidade de beleza com raízes, são algumas como “unguentos”, “quimeras”…

    Se me são expostas, eu as “lambo”, e “depois me alucino”!

    😉

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