oldies: sede (blogger), poesia

Amálgama

A vida me persegue com seus timbres
Roucas vozes do acontecimento;
Nada me amedronta mais
Que a face intacta das coisas.

Tomo de açoite o banquete das rosas
Oásis de brancura estendem-se
Em escarlates ensandecidos
De-lírios à veia acesa.

Restam desertos
Que o sol, tresloucado
Chama de poemas.

A areia arranha o silêncio do pêlo e sua
Mistura de sal no sentido da pele
Perduram águas.

À sina de mim
Amálgamas vertem suas misturas
Que a pureza dos olhos
Chama pássaros

Circundam o mel do corpo
Venta, na eriçada
Flor do ventre.

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2 comentários sobre “Amálgama

  1. Beta,

    Ao teu tato,
    nada fica intacto.

    E tua fala nomeia as coisas como quem dá à poesia a tradução do próprio poema.

    “Restam desertos
    Que o sol, tresloucado
    Chama de poemas.”

    E aqui também se pode acender a palavra e ver o verbo arder o substantivo de poemas em “chama” pelo dedo do sol.

    “Chama” de poemas
    em pleno deserto…

    E as três estrofes que seguem são de delirar!

    Concluo com a mistura das palavras tuas, à flor do ventre, em pele riscada de pássaros, onde perduram águas os olhos puros.

    Admiração que só cresce.

    Beijos, em esmero.

    Katyuscia

    Curtir

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