adensamento poético, digressões do sentir, oldies: sede (blogger)

De ser ave e mistério

Sei que um dia quis ser ave. E que de menina trago os olhos cheios de espanto. Perplexa ante o mundo que sinto pelas pontas dos dedos e pela profundidade do coração. Sei que essa ave, símbolo da liberdade, voou por aí. E que vem me buscar nas noites de sonho sereno, nas noites de lua, nas noites negras como o negro dos olhos que ostenta esse bicho lindo. É mais que um símbolo, mais que paixão, é a identidade de uma alma aprisionada a um símbolo, a um rudimento de alma, que é o que os bichos têm. Rudimentos cá e lá. Porque é inegável a afinidade que sinto com as coisas nascidas num silêncio de instante, de instinto. E o que se ouve da morte? O que se ouve da vida? O que se ouve dentro do homem, do bicho, dentro do mistério de Deus? Olhos cheios de espanto, olhos de perplexidade pelo mundo acometido. Olhos de acometimento. Escrevo o mistério da ave, e ela é o meu mistério, o mistério de um amor.

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