Paisagens n’alma

Meu rosto relembra suas mãos na distância do contato. Ele é a terra para o seu plantio. É a promessa da flor que você colherá. Colhe, pois, flores de mim, nas faces encharcadas de poesia e lágrima. Colhe esse viver cheio de pranto e medo indócil. Vele por mim, pelo meus ventos, que remexem crinas, destrançam cabelos, espalham as sementes que sonham com pétalas. Me ensina a fertilidade do sorriso. Vem sazonar meus frutos, cultivar minhas plagas, chover sobre mim. Vem pra me fazer sua. Vem que eu preciso tanto. Vem que há relâmpagos, e os granizos ferem. Há um assombro na menina dos meus olhos. Há um rio nascendo nesse castanho cheio de amor. Transbordando a alma, nutrindo meu amanhã. A vida me arremessa frágil sobre os campos do mundo. Sem grãos, sem sementes, sem terra. Só com o sonho da flor. E com o sonho da flor eu faço um jardim na sua alma. O sonho e a flor você colhe com suas mãos de ternura. E o impacto de tudo o que não sei e sinto fortemente nas artérias e no incorpóreo ser, faz na minha alma uma paisagem a mais.