adensamento poético, amavisse, oldies: sede (blogger)

Te escrevo…

Te escrevo com fome e silêncio. Fora das convenções, fora da lógica, te fazendo doer, porque não abro mão do que sou. Mas teu nome, não sabes, está pregado em minha boca. Até quando? Não importa. Quem sabe até sempre? Deliro-te. Deliro de ti. No meu refúgio de girassóis, no meu exílio voluntário, no cansaço, no recomeço, na esperança, na solidão das horas mais minhas, em que me revejo e renovo. Em que convoco enigmas, inexplicações, distancio-te para te ter mais perto no paroxismo do reencontro. Despejo e desejo. Carinhos e urgências. Oscilo extremos de agonia e gozo. Sou aquela que na ausência doce te ama até a morte. Até a morte do instante. Me preencho com a falta, adentro todos os labirintos, me perco pra te achar dentro de mim. Achar o mundo; e vou de mundo em mundo te achando e perdendo. Esta sou eu, meu bem, sem aviso prévio, improcedente, doce, mas tão doce, percebe? Afeita ao afeto, só que arredia também, tudo de sim, tudo de não, talvez quase os dois. Eu não sou só um jogo de palavras. Eu sou a afirmação da minha inconstância. Assumo, assumo meus contrastes. Esgoto em sombra e renovo em luz. Te quero com a minha cara amassada de sono, te quero da torre dos meus delírios, te quero no presente, te quero aqui, e na terra que é só minha, com a urgência dos verões, e na nostalgia dos invernos. Com um jeito de nunca, platonicamente, com um jeito de sempre, possuindo com força. Perto e longe, do jeito que eu puder e quiser. Não sou egoísta, vida minha, sou a que não termina. Transito, oscilo, alucinada, responsável, contente e suicida. Cabeça dura, eu sei, eu sei. Mas com tanto amor impregnado na distância, com um jeito de criança ardendo impulsos de presença, quando me dá na telha, quando estar perto é a finalidade a que me proponho. No seu colo, com medo, entre as estrelas que não tocamos, na poeira que acumula histórias, na cama dos nossos afagos. Nesta madrugada em que não houve. Não quero te fazer doer, mas esta sou eu, aprisionada à liberdade da busca. E te quero assim, toda minha, mas só quando tu mesma fores tua, e eu também. Então eu vou, volto, mas como quem nunca partiu. Porque há no meu rastro, toda a minha alma que ardeu por algo ou por alguém.

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