Silentium

Falo uma espécie da
língua dos anjos caídos
arcaísma, seu desuso
consome minha eterna
juventude – violência
nome desta inveja
que pratico – sina
nova, demasiado nova.

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Poética

O fato em torno do qual
a carcaça de baleia da palavra
morre na praia
depois de nada, nada
nadar.
Criar o fato em torno
do qual suspendemos
o viveiro da palavra
pleno de animais vivos
ou sementes.
Assim, seguimos
transplantando um corpo de
baleia numa sementeira
aguando de vontade –
algo que dará frutos?

The Eros of Yoga

De joelhos, leve o peito para baixo
e coloque-o entre suas coxas.
Encoste sua testa no chão
alongue os braços
à frente ou para trás
ao lado das pernas.
Respire lentamente
através do seu nariz
observando o peito
e as costelas expandirem.
Fique nessa posição
por 5 a 10 respirações profundas.

Descrição de uma das poses da Yoga, feita por Leilane Lobo, transformadas, aqui, em poema.

Que o vento aprume a lógica
quando o sentido do gesto for
abstrato demais para o toque.

Só no invisível a matéria se refaz.
Articular uma comunidade do espanto
a confluir para onde o rio vai.

Devolver à natureza a memorabilia
do concreto e fincar diretrizes
no gosmento campo das ideias.