poesia

Sagrado

Há outras distâncias
o ermo, as velas
usadas da superfície
ao sabor da ventania.

Ser de outro mundo
sentir o luto, as mãos
quase em prece
ser a pele deste mundo.

Uma estação trai a outra
acirra o desejo de viver.
Temos agora as folhas de antes
amarelecendo num mesmo chão.

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Ciclo

O mundo com sua taça embebida
no aroma dos mortos
com seus dizeres pequenos, sombrios
suas devastações de ofício.
A regra de cálculos ruminantes
movimentos abocanhados pelo vinho
das fantasias itinerárias.
Acordar de repente, a taça sobre a mesa
carta quase a termo, parágrafos colhidos
de olhos movediços num palco de intuições.
Aquela antiga dor, o ventre que escurece
a transparência de razões também sagradas
vermelho agônico-anacronia.

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Tudo com detalhes

Talvez, deseje depor todas as coisas
ordenar veias e pensamentos
diluir o quarto em dedos
soldar teu sono com o vermelho
invertendo o que se destinou por boa gente
tudo com detalhes que, de uma hora pra outra
me atreveria a abandonar por rotinas
que alguém chamasse gastas
pés assentados em Cochabamba
pés viandantes por Compostela
pés que não se desviam de ser pés.

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I.
Um sentimento embrutecido na dobra da palavra. O emudecimento da circunstância até sua transubstanciação. Um ritmo na peculiaridade da fala. O pensamento não originário determinando amálgamas. Poesia, pura conflagração.

II.
A palavra me dá a interioridade do pensamento. O pensamento me transporta à nudez da palavra. A imagem fornece a desmedida do homem. E o entorno é a memória plangente das nuvens, misturada ao corpo-grito do mundo. O resto, eu sei, silêncio.

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